Estudo da vida de prateleira do Soro Controle Positivo componente do kit de Hemaglutinação Indireta para Toxoplasmose
BARCELOS, A.L.R.1,2; CAMARGO, M.A.1; FUKUDA, D.S.1; REIS, D.C.V.1; MESTRINER, C.A.1,2.
1Departamento de Pesquisa e Desenvolvimento Wama Diagnóstica; 2UNICEP-São Carlos.
Introdução
O estudo do shelf-life ou vida de prateleira de um produto é uma importante ferramenta para determinar a melhor condição de armazenamento e fundamentar os testes acelerados de validade. Para tanto, pode-se utilizar o método de Arrhenius. Em kits de diagnóstico in vitro esse estudo é fundamental, uma vez que o diagnóstico laboratorial correto depende da estabilidade do kit utilizado.
Objetivo
O objetivo deste trabalho foi realizar o estudo do shelf-life do soro controle positivo do kit de hemaglutinação indireta de toxoplasmose, devido substituição da matéria prima humana pela animal e, assim, determinar a melhor condição de armazenamento e o prazo de validade do mesmo.



Para determinar a ordem de reação da degradação do soro controle positivo, os dados brutos obtidos para cada temperatura foram convertidos utilizando-se as seguintes soluções analíticas:

Os resultados transformados pelas três equações foram lançados em um gráfico de tempo em função da reatividade da amostra (título). A identificação do maior coeficiente de determinação (R²) para cada temperatura definiu a ordem da reação em pseudo-ordem zero, um e dois; e também permitiu definir os coeficientes angulares das retas formadas, que correspondem às constantes de velocidade (k) de cada temperatura.
A análise das constantes de velocidade (k) de cada temperatura permite identificar a temperatura ideal de armazenamento, através do menor valor de k, e a melhor temperatura, dentre as estudadas, para o desenvolvimento do estudo acelerado de validade, através do maior valor de k.
As constantes de velocidade (k) também foram utilizadas para obter o fator de aceleração (α), utilizado na definição do prazo de validade do produto, através da razão entre os valores do maior e do menor k e, para plotar um segundo gráfico do ln(k) versus o inverso das temperaturas estudadas (1/T), do qual se obtém a equação da reta formada, análoga à Equação de Arrhenius, que permite fazer previsões da validade do produto em temperaturas não estudadas.
Juntamente com a análise de reatividade, as características físicas do produto, importantes sob o ponto de vista comercial, também foram avaliadas.
Resultados
As características físicas analisadas do produto mostraram que não houve alteração de cor, odor ou consistência do mesmo. O soro mantido a 70°C não foi analisado com relação a reatividade e as características físicas, pois o mesmo se degradou rapidamente impedindo a coleta de dados.
O valores brutos de cada temperatura transformados nas três equações descritas anteriormente mostraram que o maior valor de R² foi obtido com a primeira equação em todas as temperaturas, onde conclui-se que a reação de degradação do soro controle positivo é da pseudo-ordem zero. Do gráfico de pseudo-ordem zero foram extraídos os valores de k (Tabela II) que mostraram que 5ºC é a temperatura ideal para armazenar o soro controle positivo e, 50ºC temperatura mais indicada para realizar os estudos acelerados de validade.
O prazo de validade do produto foi estimado com base no fator de aceleração (α), obtido através da razão entre os valores das constantes de velocidade das temperaturas de interesse (k50˚C /k5˚C = α), resultando em um prazo de validade estimado em 3 anos e 6 meses, uma vez que o mesmo se manteve estável 52 dias quando submetido à temperatura 50ºC. Entretanto, o tempo de 52 dias necessário para definir o prazo de validade do produto, por ser muito extenso, seria inviável para a indústria uma vez que o lote produzido permaneceria em análise por muito tempo na empresa resultando em um aumento do estoque. Desta forma, buscou-se através da equação de Arrhenius, obtida do gráfico ln(k) versus 1/T,uma temperatura que se adequasse à necessidade comercial da empresa. Os resultados indicaram que submeter o produto a 65ºC por 20 dias corresponde a uma validade de 3 anos e 6 meses quando armazenado a temperatura de 5ºC.
Conclusão
O presente trabalho mostra que o estudo do shelf-life de um produto é uma importante ferramenta que permite conhecer os mecanismos de reação de degradação deste produto e estipular um prazo de validade aproximado para o mesmo. Além disso, esse estudo mostra-se indispensável para indústria de diagnóstico, pois também permite direcionar os testes acelerados de estabilidade de acordo com as necessidades comerciais.
Com relação à validade do produto, o trabalho mostrou que ele possui uma validade extensa, o que possibilita a produção de lotes maiores, reduzindo as perdas relativas às sobras de pequenos lotes e manutenção de representantes nos estoques de controle de qualidade e retenção. Os resultados encontrados permitem afirmar que a temperatura 65ºC é a ideal para o desenvolvimento dos testes acelerados de estabilidade, sob o ponto de vista comercial, uma vez que requer a permanência de amostras do produto por apenas 20 dias em estufa.
Bibliografia
PEDRO, A. M. K. Desenvolvimento do Método Multivariado Acelerado para Determinação do Prazo de Validade de Produtos unindo Quimiometria e Cinética Química. Campinas: UNICAMP, 2009. 169 p. Dissertação de Mestrado, Pós-Graduação em Físico-Quimica, Instituto de Química, Universidade de Campinas, Campinas, 2009.
MANFIO, J. L; DAL'MASO, A; PUGGENS, A. M; JUNIOR, L. B; STEPPE, M. Determinação do prazo de validade do medicamento carbocisteína xarope através do método de Arrhenius. Revista Brasileira de Ciências Farmacêuticas, v. 43, n. 4, p. 563-570, 2007.
SUNGTHONGJEEN, S. Application of Arrhenius Equation and Plackett-Burman Design to Ascorbic Acid Syrup Development. Naresuan University Journal, v. 12, n. 2, p. 1-12, 2004.
|
|