Entenda como funciona diagnóstico laboratorial para Covid-19 e Influenza A e B

IMPORTÂNCIA CLÍNICA

Desde dezembro de 2019, a pandemia de COVID-19 se espalhou de seu epicentro em Wuhan, na China, infectando mais de 500 milhões de pessoas e causando mais de 6 milhões de mortes em todo o mundo.

Dessa forma, se faz importante o reconhecimento da COVID-19, pois permite que medidas eficazes de controle da infecção e terapia antiviral sejam potencialmente benéficas, evitando as temíveis complicações que podem levar ao óbito.

No caso da gripe, a infecção viral aguda e altamente contagiosa para o trato respiratório tem como o vírus Influenza tipo A, sendo o mais prevalente e o principal patógeno associado a epidemias graves e o vírus do Influenza tipo B, que causa uma doença geralmente não tão grave quanto aquela causada pelo vírus tipo A. A maioria dos pacientes apresentam sintomas respiratórios leves a moderados, mas alguns podem evoluir para complicações graves.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que a gripe cause a morte de 290.000 a 650.000 pessoas por ano ao redor do mundo. Esses números indicam a elevada carga da gripe e seu substancial custo social e econômico para o mundo. De acordo com o CDC, Centro de Controle de Doenças, dos Estados Unidos, a maioria das mortes ocorre entre pessoas com mais de 75 anos e nas regiões mais pobres do mundo. A África Subsaariana é o local onde há o maior risco de mortalidade por gripe do mundo, seguida de perto pelo Mediterrâneo Oriental e Sudeste Asiático.

GRIPE SAZONAL E COINFECÇÃO

A gripe sazonal é uma infecção viral aguda que se espalha facilmente entre pessoas e circula em todo o mundo. A maioria das pessoas se recupera dentro de uma semana, sem precisar de atenção médica. Doenças respiratórias comuns relacionadas à gripe sazonal que podem causar a morte incluem pneumonia e bronquite.
Com a aproximação do inverno, esses casos podem apresentar uma tendência ascendente. Além disso, outra característica importante é a coinfecção, ou seja, a infecção simultânea com SARS-CoV-2 e outros vírus respiratórios, descrita em vários estudos. Os mais proeminentes entre estes são: o Vírus Sincicial Respiratório, Enterovírus e a Influenza A.

A COVID-19 e a gripe compartilham muitas semelhanças, incluindo transmissão e manifestações clínicas, como febre, tosse seca, dor de garganta, dor de cabeça, mialgia e fraqueza, e essas semelhanças podem facilmente levar a erros de diagnóstico das duas doenças.

O SARS-CoV-2 parece infectar preferencialmente as células alveolares do tipo II (pneumócitos AT2), que também são os principais locais de replicação do vírus influenza. Isso pode exacerbar os efeitos colaterais do COVID-19, se houver uma infecção concomitante por gripe. Por exemplo, alguns pacientes que apresentaram sintomas semelhantes aos da gripe tiveram resultados positivos para SARS-CoV-2 em um estudo no Los Angeles Medical Center. A falha em distinguir pacientes com COVID-19 daqueles com Influenza pode aumentar significativamente o risco de infecção cruzada. Além disso, os tratamentos para COVID-19 e Influenza são muito distintos, e o diagnóstico incorreto pode resultar em atraso no tratamento e desperdício desnecessário de recursos médicos.

Nesse contexto, a única maneira de confirmar um diagnóstico de COVID-19 ou Influenza é o teste laboratorial específico, que deve ser considerado em conjunto com os sintomas apresentados pelo paciente.

TESTES LABORATORIAIS PARA COVID-19 E INFLUENZA

Podemos simplificar os testes para diagnóstico de COVID-19 e Influenza em três categorias. A primeira é identificar se o material genético do vírus está presente, e isso é chamado de teste NAAT (N-A-A-T: Nucleic Acid Amplification Test). É o teste de PCR em que se utiliza um swab nasofaríngeo para a obtenção da amostra para identificação do material genético do vírus.

A segunda categoria de teste é quando se busca identificar uma das proteínas externas do invólucro ou envelope viral. É o chamado teste de antígeno. Eles detectam a proteína externa do vírus.

E a terceira categoria é detectar a resposta imunológica do organismo, ou seja, se houve o desenvolvimento de anticorpos específicos contra determinadas proteínas virais, mostrando se o indivíduo teve uma resposta imune ou desenvolveu imunidade ao vírus.

Desses testes, o NAAT que identifica o ácido nucléico viral é o mais sensível. A maior dificuldade é que ele precisa ser realizado em um ambiente de laboratório bastante sofisticado. E é por isso que o tempo de resposta para esses testes pode levar alguns dias.

Os testes de antígenos, que agora se tornaram bem populares, são os chamados testes de diagnóstico rápido. E esses foram desenvolvidos de forma que possam ser feitos à beira do leito ou no ponto de atendimento ao paciente, não necessitando de um laboratório sofisticado para sua realização. Embora não tão sensíveis quanto os testes PCR, eles têm importante valor como uma das ferramentas para enfrentar a pandemia de COVID-19, assim como identificar se o agente etiológico da infecção respiratória é o SARS-CoV-2 ou Influenza.

A utilização de testes Multiplex, os quais permitem que se pesquise mais de um patógeno no mesmo teste, seja por PCR ou teste de antígeno, tem sido de grande interesse por permitir o uso mais eficiente de reagentes, maior rendimento e simultaneamente fornece resultados sobre a presença do SARS-CoV-2, Influenza A e Influenza B em uma única amostra do paciente.

Conforme comentado, os sintomas do COVID-19 e da gripe podem ser semelhantes, portanto, testar os três vírus ao mesmo tempo fornecerá aos profissionais de saúde as informações necessárias para ajudar a reduzir a propagação do vírus na comunidade, preservando recursos escassos, assim como o estabelecimento imediato de condutas terapêuticas.

IMUNO-RÁPIDO COVID-19 E INFLUENZA AG DA WAMA DIAGNÓSTICA

O Imuno-Rápido COVID-19 e Influenza Ag da WAMA é um teste Multiplex para determinação qualitativa e diferencial dos vírus SARS-CoV-2 (COVID-19), Influenza A e Influenza B em amostras de swab da nasofaringe que permite sua utilização em ambientes fora do laboratório convencional.

A sensibilidade e a especificidade clínicas do teste, quando comparado ao RT-PCR em tempo real, mostrou 96,1% e 99% para a COVID-19; 94,7% e 99,1% para Influenza A; e 91,2% e 100% para Influenza B. Considerando que o (FDA), dos Estados Unidos, exige que os testes rápidos atinjam um mínimo de 80% de sensibilidade, o teste apresenta muito boa performance.

Vale ressaltar que os testes de determinação do antígeno viral são totalmente dependentes da carga viral. Todos os testes rápidos obtêm melhor desempenho em amostras com altas cargas virais (valores de Ct ≤ 25 ou > 106 cópias de genomas virais/mL). Isso proporciona um diagnóstico precoce e a oportunidade de interrupção da transmissão por meio de isolamento do paciente.

Entretanto, essa dependência da carga viral faz com que resultados negativos sejam interpretados com cautela, especialmente durante o pico de atividade da gripe em uma comunidade. Em caso de persistência dos sintomas e quadro clínico compatível deve-se realizar o RT-PCR.

Resultados falso-positivos são menos prováveis, mas podem ocorrer e são mais comuns durante os períodos de baixa atividade da doença.

Vantagens do Teste

  • Produz resultados rápidos em 15 a 20 minutos;
  • Simples de executar. Necessita treinamento, mas não profissionais de laboratório para sua realização;
  • Permite realização no ponto de atendimento ao paciente, gerando rapidez na tomada de decisão por parte do profissional de saúde;
  • Por ser um teste Multiplex, permite o diagnóstico diferencial se COVID-19, Influenza A e Influenza B.

Desvantagens do Teste

  • Resultados falsos negativos podem ocorrer quando a carga viral é baixa;
  • Embora a especificidade seja alta, podem ocorrer resultados falsos positivos nos períodos em que a atividade da doença é baixa.

Fatores que Influenciam os Resultados do Teste

  • Sinais e sintomas: ter sinais e sintomas clínicos consistentes aumenta a probabilidade pré-teste de infecção viral, o que aumenta a confiabilidade de um resultado positivo;
  • Prevalência da doença na população testada: a atividade da gripe varia sazonalmente, o que pode afetar os valores preditivos do teste;
  • Tempo desde o início da doença até a coleta da amostra: amostras coletadas dentro de 3-4 dias do início dos sintomas têm maior probabilidade de produzir resultados positivos;
  • Tipo de amostra: amostras de boa qualidade aumentará a precisão dos resultados.

Interpretação dos Resultados do Teste

A interpretação adequada dos resultados é muito importante para o manejo clínico dos pacientes e para avaliar os surtos suspeitos. Compreender algumas considerações básicas pode minimizar a ter um resultado falso-positivo ou falso-negativo. Desta forma:

  1. O valor preditivo positivo do teste é mais alto quando a atividade da infecção viral é alta na população testada;
  2. O valor preditivo positivo do teste é menor quando a atividade da infecção viral é baixa na população testada;
  3. Um resultado positivo é provavelmente um positivo verdadeiro se a amostra foi coletada perto do início da doença (dentro os primeiros 4 dias);
  4. Um resultado falso-positivo pode ocorrer quando a prevalência da doença na população testada é baixa;
  5. Um resultado negativo significa que o teste não detectou nenhum antígeno viral;
  6. O valor preditivo negativo do teste é maior quando a atividade da doença é baixa na população testada;
  7. Um resultado negativo é provavelmente um negativo verdadeiro se a amostra respiratória foi coletada perto do início da doença (dentro de 4 dias) durante períodos de baixa atividade da doença;
  8. O valor preditivo negativo do teste é menor quando a atividade da doença é alta na população testada;
  9. Um resultado falso-negativo pode ocorrer quando a prevalência da doença é alta na população testada;
  10. Resultados negativos dos testes não excluem a infecção pelo vírus Influenza A/B ou SARS-CoV-2 e eles devem ser considerados se a suspeita clínica for alta com base na história, sinais, sintomas e exame clínico.

Minimizar resultados falsos

  • Colete amostras no momento certo (dentro de 4 dias após o início dos sintomas);
  • Siga rigorosamente as instruções da bula, incluindo amostras aceitáveis e manuseio;
  • Esteja em alerta para o fato de que o vírus Influenza A circula amplamente entre suínos e aves.

Finalmente, como a coinfecção por SARS-CoV-2 e vírus influenza pode ocorrer, um resultado positivo do teste de influenza sem o teste SARS-CoV-2 não exclui a infecção por SARS-CoV-2 e um resultado positivo do teste SARS-CoV-2 sem o teste de influenza não exclui infecção pelo vírus influenza. Assim, o teste Multiplex de detecção do vírus SARS-CoV-2, vírus influenza A e B deve ser sempre realizado, pois não só evita a disseminação da doença, como também determina que medidas de isolamento e condutas terapêuticas sejam prontamente tomadas.

Compartilhe
Você já respondeu nossa pesquisa?